terça-feira, 21 de agosto de 2007

Poema dos pássaros



POEMA DOS PÁSSAROS
Acorda, Irmão!
(Poema captado na fala dos pássaros.)
*Miká*


Acorda, irmão!
Olha ao teu redor.
Por acaso notas algo diferente?
Olha um pouco o que não dependeda força de algum motor.
Olha o que vive sem nada,
sem salário,
sem mansão,
sem carro,
iate, relógio,internete ou televisão!
Olha para quem bate asas na árvore da tua rua.
Percebeste que não há nada que perturbe a vida sua?
Esses nunca pedem esmola
nem nunca vão à escola,
nem precisam de aparelhospara se comunicar.
Eles não usam radar,
nem lêiser,
nem quebra-molas!
Nem precisam de escolta para fazer espetáculo,
muito menos usam óculos para ver o que há no ar!
Eles cantam ao despertar, e encantam quem pode ouvir,
mostram que a vida é um devire que o passado não há!
Não têm memória do luto,
não sofrem com o escorbuto,
nem há SIDA que os persiga ou que não os deixem dormir!
Voejam de galho em galho,
se alimentam do que houver,
não batem na tua porta,
não vivem das tuas sobras,
não precisam de tuas leis,
e não admiram tuas obras!
Que importa se tu és rei, ou mendigo, ou general, alguém do bem ou do mal,
mesquinho, bonzinho, asceta?
Nunca estudaram ética,
nem acumulam riqueza,
só vivem do que encontram sobrando na natureza,
nem se importam com a beleza que nós achamos que têm,
estão cagando na cabeça.
Escuta, irmão, o seu canto às cinco horas da tarde,
ou às nove da manhã,
não precisam bater ponto,
cantam sem fazer alarde,
sua mente é sempre sã.
Imagina, meu irmão,
se tu pudesses viverc omo quem canta lá fora
na calma do entardecer!
Não há nada que se compare a ser sem ter que se ser.
Ser apenas, natural, sem tensão,
sem artifícios, sem creche, sem hospital,
sem prisão e sem hospícios!
Ser sem obrigação, só por ser o que se é,
sem roupas, condenação, sem culpa, sem rejeição.
Ser porque simplesmente é!
Sem mística, sem outro mundo,
sem medos, mistérios profundos,
arcanos, segredos, surtos,
sem lutar pelo que é justo!
Ser, somente ser, e ir sendo,
vir a ser, esquecer, tornar-sea quilo que se quiser,
mudar se assim for preciso,
aceitar o que é vivido,
comer o que for servido,
dar graças ao que vier.
Ser sem futuro, pretérito, perfeito ou imperfeito,
viver o mais que perfeito,
sem crédito ou mérito até.
Sem os autorais direitos da melodia criada,
trinar só pelo prazer de ver a obra cantada,
e por prazer cantar mais,
doar não importa a quem,
dar a dez, vinte ou cem, mil, milhares, milhões.
Emitir as vibrações,
espalhar na atmosferaum cântico a plenos pulmões,
acalmar feras e belas,
ser ouvido nos sertões,
nos litorais, nas favelas,
nas calçadas, nas janelas,
nos cortiços, nos salões!
Cantar e ser como o mar,que abriga vida em seu canto,
cantar como a cachoeira,
que protege com seu manto de tecido imaculadoas
vidas que se produzem em seus rochedos molhados.
Cantar e ser como queira,
cantar e ser, simplesmente,
cantar, cantar, cantar,
ser, ser, ser semente solta voando no ar
indo aonde o vento vente
ser estando, ser sendo, somente.






Arte: "Bird" - Lorena Alvarez

Site: http://culturaphenix.com/2005/10/17/poema-dos-passaros/

2 Comentários:

Jac C. disse...

Ai, que imagem linda acompanhada de um belo poema.
Por falar nisso, gostei de vc ter compartilhado comigo um dos poemas que gostas de Drummond.
Eu devia ter lançado esse desafio no post, viu!
Por ora, tô vivendo um desacerto com o espelho... snifs!
Mas vai passar, pq Jesus me ama!
rs...
Beijos

Alice disse...

linnnndoooooo !!!

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